Ao abrirem-se as cortinas todos se tornam diferentes, novos mundos ganham vida e novos sentimentos são descobertos. A arte de entreter e ser entretido por tudo aquilo que nos traz emoção, alegria, tristeza e muito mais, ganha forma e se manifesta artisticamente do jeito que melhor lhe cabe.
O teatro é uma das mais antigas artes da sociedade, mas não se sabe ao certo quando surgiu; se foram em tempos longínquos enquanto aprendíamos a caçar imitando nossa presa ou se só virou de fato o teatro quando os gregos introduziram essas representações na sociedade como forma de adoração á Dionísio, Deus das festas, do vinho e da fertilidade. Apesar de ser focado na alegria, tristeza e principalmente no drama da sociedade, naquela época era tudo muito restrito, não se tinha a liberdade de poder expressar os sentimentos como hoje, quer dizer, até podia, se não ligasse em perder a cabeça alguns segundos depois.
Manifeste-se
Ser ator é isso, é poder representar e apresentar sua arte como lhe parecer mais correto. Para o ator de teatro Anderson Galvão tem algo á mais, “cada um tem o direito de escolher o que quer fazer, o que quer prestigiar. Eu sou ator, mas não abro mão de assistir um show de música, uma manifestação com danças populares, com artesanato, com intervenções cênicas. Eu não abro mão disso porque também é cultura". Apesar de ser ator profissional, ele diz que veio do interior e lá tem muito teatro amador e isso precisa ser valorizado, “eu sou um dos que foram atrás de conhecer o teatro, eu não nasci gostando".
O “teatro democrático”, como é definido pelo diretor e dramaturgo Celso Corria Lopes, que coordena o curso de teatro na FASCS Fundação das Artes de São Caetano do Sul, tem uma função de reflexão, onde todo o conteúdo que é apresentado precisa ser pensado, precisa ter uma dose de arte, de história e conhecimento, que prenda o público sem que o aprisione.
Há trinta e três anos no Brasil, o musico boliviano Cecilio Portugal Choque, se apresenta há mais de duas décadas em ruas e parques da cidade com alguns grupos e, para ele, transmitir sua cultura é muito importante. Cecilio conta ainda que no co
meço sofria muita descriminação principalmente por ser estrangeiro, "já ouvi que estamos aqui para levar o dinheiro e as mulheres do Brasil, mas a grande maioria me trata com respeito". Ele conta que já perdeu muitos instrumentos em outros tempos por causa do "Rapa" mas que hoje é diferente e percebe uma mudança no cenário independente. Atualmente ele sustenta sua família com a renda das apresentações e da fabricação de instrumentos andinos além de ensinar como fabricá-los, mas nunca deixando de acreditar na emoção e na vontade de difundir sua cultura por onde passa com alegria de sua música.
Em Munique, na Alemanha, um músico que quiser tocar nas ruas precisa passar por uma comissão julgadora e mesmo assim precisa de uma permissão diária, caso contrário a multa é bem alta. Aqui no Brasil existem muitos artistas de rua, como o músico Rafael Pio, 30, que se apresentava na Avenida Paulista em frente ao Center 3, no centro da cidade. Em outubro 2012, Pio se envolveu em uma confusão com policiais que resultou na detenção do artista. Na época, a gestão Kassab considerava que os artistas de rua eram ambulantes, já que não pagavam impostos e isso causou grande revolta entre a classe. Alias a Avenida Paulista se tornou o centro dos artistas independentes; de músicos á dançarinos e de pintores á estátuas vivas; hoje Rafael voltou a se apresentar em frente ao shopping.
Direitos e deveres
Alguns meses após o incidente com Pio, a prefeitura lançou mão de outro decreto, a Lei nº 15.776 de 29 de maio de 2013 que diz que os artistas podem permanecer em vias públicas apenas durante as manifestações artísticas porém sem que atrapalhem a circulação de pedestres e veículos, sempre respeitando o meio ambiente e o local de
permanência sendo obrigatório que encerrem as atividades até as 22 horas.
É permitida a venda de bens culturais, como cds e livros desde que sejam de autoria própria e não os mesmo não estão autorizados a cobrarem por apresentações públicas como dança, encenações e outros. Aqui ainda vale o bom e velho chapéu para arrecadar aqueles trocados que vazem a diferença no final do dia.
Popularizando
Apesar dessa flexibilização das regras com relação aos artistas independentes, muito precisa ser visto e revisto. Normas que talvez ao se aplicam fora do estado, ou em outras situações como no Festival de Circo do Brasil que já acontece a nove anos em diversas capitais brasileiras. O evento é um dos mais importantes da América Latina e conta com o patrocínio de diversas instituições e empresas. Em 2013 o evento aconteceu na cidade de Boa Viagem no Recife.
Freqüentadora do festival e amante do circo, a estudante Anna Valéria Ferreira, 27, diz que o circo é algo maravilhoso e faz lembrar de sorrisos, “me faz sentir criança novamente e sorrir com poucas coisas. O circo representa para a sociedade um lugar de sonhos e desafios, pois cada apresentação existe um troca entre espectador e artista. Um não sabe como o ouro vai reagir”.
Falando sem palavras
Não teria como falar de manifestações artísticas sem falar de um dos mestres do teatro e do cinema Charles Spencer Chaplin, ou apenas Charlie Chaplin. Entre suas habilidades podemos citar as de diretor, produtor, compositor e claro, ator. Conhecido mundialmente pela pantomima, ou seja, a arte de atuar sem apenas com mímicas, arte que o levou ao estrelato em uma de suas excursões pelos Estado Unidos quando conheceu seu primeiro produtor. Ele sem dúvida é uma das maiores referências no mundo artístico, e é com uma de suas frases mais marcantes que eu me retiro de cena.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
(Charlie Chaplin 1889 - 1977)
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