O bullying na sociedade, feridas que marcam a alma
Dor, solidão, medo, revolta, são apenas algumas das marcas deixadas pelo bullying, marcas que não se limitam ao emocional e ultrapassam o físico. No mundo todo, milhares de pessoas sofrem com essa agressão. Criado na década de 70 pelo sueco Dan Olweus, o termo bullying (do inglês bully = valentão) segundo ele, caracterizava as agressões e transtornos psicológicos visíveis em estudantes da época.
Mas o que é de fato o bullying? Como começa? O quê causa em quem sofre? Isso é fácil de responder e de se entender mas muito difícil de se aceitar. O bullying é associado a xingamentos, brincadeiras, humilhações públicas, ofensas que envolvam alguma característica física ou social de uma pessoa; a altura, o peso, alguma outra deformidade física, a roupa que usa, seu jeito de andar e falar e tudo mais que possa ser usado para reprimir e ofender alguém. Geralmente quem começa com as “brincadeiras” são os valentões da sala, da escola, ou de onde for, em busca de chamar a atenção, se colocando acima dos outros, ou alguém que não vai com a cara de outra pessoa e literalmente a joga na berlinda como alvo. Quem sofre a repressão fica marcado pelo resto da vida, e por mais que se submeta a tratamentos psicológicos, físicos ou comportamentais, sempre vai carregar dentro de si a angústia em lembrar o terror que é passar por isso.
Em estudo realizado pela ONG Pian em 2010, com alunos do ensino fundamental de escolas públicas e privadas, 47% afirmam já terem sido vitimas de bullying na escola, na Internet ou já presenciaram algum tipo de agressão. (Revista VEJA, março 2011)
O bullying, nos dias de hoje, tem sido identificados em vários casos que ficaram famosos na mídia. O mais recente é o de Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, que assassinou 12 crianças e feriu mais 12 na escola estadual Tassio da Silveira, na zona oeste do Rio de Janeiro no dia 7 de abril de 2011. Em cartas encontradas pela polícia na casa de Wellington, ele associa a chacina à discriminação que sofria quando criança na escola. Fato esse que teve o agravamento da esquizofrenia herdada de sua mãe biológica. Em entrevista à Revista VEJA, o psiquiatra Gustavo Teixeira diz que “... provavelmente as humilhações funcionaram como um gatilho de um gravíssimo distúrbio psiquiátrico”.
O aumento da agressividade nas vítimas de bullying, nem sempre vem à tona, na maioria dos casos a pessoa sente medo de tentar reagir e sofrer ainda mais e em muitos casos acabam nem contando aos pais ou professores sobre o ocorrido. Isso é um ponto importante, pois só se pode reprimir a ação a partir do momento em que se expõe o caso.
Mês passado aconteceu na Casa Branca, Estados Unidos, a Conferência de Prevenção ao Bullying. Lá esses casos tem uma repercussão muito mais expressiva do que em outras partes do mundo, e é também onde os piores casos ocorrem.
Circulou pela rede há alguns dias um vídeo de garoto que por ser maior que os alunos da sua idade e por estar acima do peso, sofria com agressões verbais e físicas. Um vídeo foi lançado na internet e mostra o agressor literalmente sendo esmagado pelo garoto que seria a vitima – veja o vídeo aqui . No Brasil 80% das escolas não punem os agressores e segundo a consultora pedagógica Valéria Rezende da Silva: “Elas ainda não entenderam sua responsabilidade na repressão ao bullying.” A internet tem sido o centro de muitas dessas ações. Sites de relacionamento como orkut e twitter, tem sido usados para disseminar essas ofensas, que posteriormente ganham maiores proporções no mundo físico.
Nos dias de hoje, esse tipo de preconceito é totalmente inaceitável. Em pleno século XXI, é absurdo como as pessoas ainda tenham esse tipo de preconceito, e não só com relação ao bullying, mas com qualquer outro tipo de discriminação. A negligência das pessoas, das escolas, do governo com relação ao bullying tem se mostrado cada vez mais adversa à situação. E aí fica a pergunta no ar, “O que pode ser feito sobre isso?”, infelizmente, não depende apenas de uma pequena parcela, e sim de toda a sociedade se conscientizar de que esse tipo de atitude só nos leva para o fundo do buraco, quando na verdade deveria ser uma união para que muitos outros problemas mundiais fossem solucionados.
Links de sites relacionados ao assunto:
http://www.brasilescola.com/sociologia/bullying.htm
http://gadgetsdauscs.blogspot.com/2011/04/facebook-reforca-sistema-de-privacidade_21.html
Excelente escolha de tema. Sou suspeita para falar sobre ele, mas adorei as informações e os dados de estudos atuais!
ResponderExcluirAcredito que a população tenha que se conscientizar sobre futuras consequências desses atos, principalmente tendo um exemplo tão marcante como este último do massacre em Realengo.
Vejo já há um tempo algumas escolas que debatem abertamente tal assunto com os alunos, é um bom começo, mas tudo tem que passar mais do teórico pra prática, né!
Escrevi demais! Parabéns pelo texto!
S2
Parece que o bullying realmente quer "dominar" a sociedade, na tarde de ontem o senador Roberto Requião (PMDB-PR), foi a tribuna e disse sofre de bullying. A caso aconteceu quando o senador tomou o gravador de um repórter da rádio Bandeirantes e só devolveu depois de apagar a entrevista.
ResponderExcluir“Perdi a paciência e peguei o gravador do repórter porque o fiz: para que ele não editasse a entrevista. Acho que é momento correto pra resolvermos esse problema e acabarmos com abuso com esse verdadeiro bullying que sofremos nós os brasileiros, parlamentares ou não, nas mãos de uma imprensa, muitas vezes absolutamente provocadora e irresponsável”, declarou Requião
Leia mais sobre o caso aqui:
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,apos-tomar-gravador-requiao-diz-que-sofre-bullying,711077,0.htm
http://www.blogdodecio.com.br/2011/04/27/requiao-diz-que-politicos-sofrem-bullying/
Que muitos na imprensa hoje são provocadores e irresponsáveis, isso é verdade, entretanto acho que o termo não se encaixa bem nesse contexto aí!
ResponderExcluirMas já que é pra pensar assim, e o abuso e o bullyng que sofremos dos políticos que só agem a favor de si mesmos e não da população, como deveria ser???
Este cara esta ou estava com um sério problema de linguagem! Fono já pra ele!
(Ok, assumo que tive que botar vantagem pro meu lado! rs)
Estava esperando um comentário para falar sobre o caso.
ResponderExcluirConcordo que isso não é bullying, está mais para censura da liberdade de expressão e privação do direito de trabalho.
Abrir mão da aposentadoria de R$24.000,00 parece ser algo que ele não consegue fazer tão facilmente, já que se sentiu ofendido com a pergunta do repórter. O pior de tudo, além de associar o exercício da profissão com o bullying, foi mandar o próprio filho para responder sobre o caso ao repórteres, foi realmente ridículo e infantil porém digno para alguém como ele que além de aproveitar o salário que nós contribuintes pagamos à ele com os impostos abusivos, ainda quer proibir os profissionais de exercer sua profissão.
Ele poderia pensar em exercer a dele de vez em quando ao invés de reprimir os outros.