É impressionante como hoje em dia temos uma infinidade de coisas, sentimentos, ações, pensamentos, perspectivas diferentes para assimilar em nosso cotidiano. Alguns desses "objetos" são mais difíceis de entender do que outros, uns são muitos simples, mas se tornam complicados em determinadas situações. Podemos entender por "objetos" tudo o que pode ser referido, indicado, evidenciado.
Os objetos podem ser físicos, sociais ou abstratos e é justamente nessas três classificações que caímos no desespero ou vamos à glória. O comportamento humano é baseado em premissas que o compõe. São elas: Significado, Interpretação e Interação, e baseando-se nelas tentamos (na maioria das vezes) entender o comportamento humano e suas ações.
Tudo no mundo tem um significado e a partir do momento em que se descobre qual é o significado de determinado objeto, o interpretamos de uma forma que nos parece ser a mais adequada ao seu uso, o que nos resulta em uma interação social com o objeto e com a sociedade relacionada a ele, por exemplo, se compramos um tênis, top de linha, lançamento de marcado, o quê geralmente vem à mente no momento? Que vamos estar em um patamar social elevado, que seremos diferentes dos demais, que teremos status. No caso o objeto físico é o tênis, o social é o status que queremos atingir com o produto, e a interação é algo que se pode alcançar, pois quando se busca o status buscamos também a interação com novos grupos, tribos, classes e afins. Porém para se ser essa interação, fazer parte dessa dessa “sociedade”, conseguir esse status, deve-se não apenas adquir um bem material, deve-se fazer parte do meio, entender como o mesmo funciona, é como um jogo social, se não interagirmos não estamos no jogo.
Nós, meros seres humanos, somos capazes de identificar objetos, por "esquemas tipificadores", que de uma forma mais grosseira, acabam rotulando o objeto, como um acessório utilizado por uma tribo, como sendo parte daquela "rede" e quem, de fora, usa determinado objeto acaba sendo visto como sendo parte do grupo também, mesmo apenas tenha usado por achar interessante. Infelizmente somos assim, julgamos mas não queremos ser julgados. Mas apesar dos pesares, podemos viver em conjunto com diferentes tribos, mesmo que de vez em quando (na maioria das vezes) algumas fagulhas sejam lançadas em direção oposta.
Se na sociedade, algo não tem ou não sabemos seu significado, não interpretamos da maneira correta, e isso faz com que o objeto em questão caia em desuso ou até no esquecimento. Se bem que é meio relativo falar em maneira certa ou errada de se interpretar um objeto, para mim pode ter um significado, assim como outras pessoas podem enxergá-lo de uma perspectiva diferente.
A alguns anos atrás, era comum ver pelas ruas, pessoas (geralmente negros, descendentes de afro-americanos e outros) trajando camisetas com a frase "poder para o povo preto", ou "100% negro". Na sociedade atual, em que há um preconceito absurdo com relação às etnias, raças e religiões, objetos como esses são interpretados de formas muito diferentes. Para quem usa, é uma forma de protesto, uma forma de reivindicar direitos iguais para todos, mas para quem está "do lado de fora" encara como uma forma de exclusão por parte deles mesmos. Você já parou para pensar o que aconteceria se um branquelo qualquer acordasse num dia de sol e saísse na rua vestindo uma camiseta com a frase "100% branco"? Com certeza não iria muito longe. Por quê? Porque com certeza seria perseguido por outros grupos que encarariam aquilo um abuso, um desrespeito, ou seja, cada um enxerga determinado objeto como lhe agrada mais.
Ontem na faculdade, tivemos (ou tentamos, eu juro que tentamos ter) uma aula sobre o assunto. Assistimos um vídeo (tosco, mas bem legal para quem curte o estilo) do Raul Seixas, da música "O dia em que a terra parou". Obvio que o Raul não fez a música com o pensamento aí de cima na cabeça, mas ela se encaixa muito bem no contexto. Ela fala do dia em que o mundo todo deixou de fazer suas obrigações, de seguir suas rotinas porque sabiam que ninguém mais agiria assim. Ou seja, todo o que existia perdeu o sentido, perdeu o significado, então não tinham motivos para continuar com o que faziam antes. E é assim mesmo que funciona, se algo perde o sentido, por que continuar a usá-la ou tentar entendê-la (eu sei que já disse ali em cima isso, mas é importante destacar)
Se algo caí em desuso, perde o sentido, e se perde o sentido não tem por que continuarmos a usá-la ou tentar entender seu propósito na sociedade. Se você esquece ou saí da linha de propósito de tal objeto, perde o sentido também.
Se pagamos por algo, mas não sabemos o propósito pelo qual estamos pagando, estamos jogando dinheiro fora quando poderíamos ou estar aproveitando mais o que pagamos ou gastando esse dinheiro com algo que fosse mais proveitoso. Só não é justo que por que uma pessoa está pagando e não está aproveitando, outros tenham que estar na mesma situação, afinal o que é bom para um pode não ser bom para outro.
É para se pensar certo? Alguns tem tanto para esbanjar sem se preocupar com o resultado, e outros lutam tanto para ter uma pequena parcela de conforto. Complicado demais para se pensar antes de começar uma aula da faculdade rsrsrs
Indicação de blog: http://mafaldaylavidacotidiana.blogspot.com/
Ainda não li o blog inteiro, mas é bem legal e apesar de ser em espanhol é fácil de se compreender as mensagens passadas pela Mafalda. Vale conhecer um pouco mais!
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