Escritores internacionais, milhares de fãs em polvorosos e uma organização falha que deixou muito a desejar. Assim foi o segundo dia da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo que acontece no Centro de Exposições Anhembi até o dia 31 de agosto.
As seis horas da manhã do sábado, 23, centenas de pessoas, na maioria jovens, já formavam filas nas dependências do maior centro de exposições da América Latina. Toda essa movimentação se deu por conta da presença de escritores consagrados no evento, dentre eles o escritor americano Harlan Coben, considerados um dos maiores escritores de mistério na atualidade, a autora da série "Instrumentos Mortais" Cassandra Clare, e a escritora americana Kiera Cass, autora da trilogia "A Seleção".
Aos poucos, milhares de leitores já tomavam conta da entrada principal, onde uma confusão aconteceu por conta da distribuição de senhas para conseguir um autógrafo da escritora Cassandra Clare, uma das mais aguardadas. Segundo algumas pessoas que estavam no local, as 500 senhas seriam distribuídas após a abertura do evento, e por conta disso a fila já se estendia até a Avenida Olavo Fontoura. Não havia nenhum funcionário do evento e tão pouco uma sinalização para orientar os interessados, nem mesmo os seguranças sabiam informar algo, um deles chegou a dizer que não existia o Portão 2, local onde seriam distribuídas as senhas para a sessão de autógrafos do escritor Harlan Coben. Mas graças aos próprios fãs, a fila foi organizada para evitar que alguns "furões" entrassem no meio, já que apenas 200 senhas seriam dadas.
Por volta das nove e meia da manhã, já não havia condições de andar pelo espaço, empurra daqui e dali, um sol de deixar qualquer um doido e milhares de fãs que gritavam pela abertura dos portões, parecia dia de liquidação do Black Friday. Vendo que seria difícil conter a multidão, a "organização" do evento abriu os portões antes do horário programado, às 10 horas, ou pelo menos tentou, já que as portas foram bloqueadas pelas pessoas que queriam ser os primeiros a entrar para conseguir as disputadas senhas. Quando uma das portas abriu, parecia que ia ter um terremoto, minutos que pareceram uma eternidade até conseguir chegar as catracas. O resultado disso tudo? Pelo menos uma porta quebrada, pessoas passando mal e caindo por todos os cantos.
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Na entrada, um senhor irritado apontava o dedo para o rosto de um dos funcionários e gritava com ele, "vocês são incompetentes, muito incompetentes", e por aí a fora. Mas como se não bastasse a confusão para entrar, nas catracas de acesso, muitos fiscais não conseguiam passar os convites e nem sequer conferiam os ingressos de meia entrada, se alguém estivesse com o bilhete irregular entrava do mesmo jeito. Enfim dentro do evento, preferi não arriscar e fui direto para a Arena Cultural, onde seria o bate-papo e a sessão de autógrafos com o Coben, mas novamente os seguranças não sabiam informar nada, pelo menos tentaram ajudar e formaram um fila para que não fossemos atropelados pelos velocistas fãs da Cassandra que corriam alucinados, tropeçando uns nos outros.
Após concluir meu objetivo, fui procurar alguns livros - mesmo sabendo da dificuldade. Andar olhando para frente e para o chão não é das tarefas mais simples quando se está num evento desse porte, vi diversos cadeirantes se desdobrando para desviar das pessoas que simplesmente resolviam fazer piquenique no chão, totalmente incompreensível. Um desses cadeirantes teve diversos problemas para se deslocar no estande da Editora Zahar - o único que eu consegui entrar. Os corredores eram tão estreitos que mesmo se estivessem vazios eu não sei se seriam suficientes para uma cadeira de rodas passar com facilidade.
Finalmente em posse do livro que estava procurando, fui até o caixa, mas onde era o caixa? Bom, vamos procurar um funcionário do estande então. "É aqui do lado, mas a fila começa lá (apontando pro nada) e dá a volta por fora do estande". Entrei no que seria o final da fila, ou pelo menos de uma das que se formavam pelos corredores. As atendentes não sabiam orientar e nem se preocupavam em tentar organizar UMA fila, após uns dez minutos eu infelizmente desisti de tentar entender a zona generalizada, deixei o livro lá e saí do estande (se tivesse um mapa seria mais fácil) para ir embora. Pelo menos o transporte até o Terminal Tietê estava organizado, sinalizado e com motoristas super educados.
Ok, você pode estar pensando - "nossa como ele é negativo, só falou coisa ruim do evento", mas infelizmente foi só isso que eu consegui ver, desorganização, pessoas que não sabem se portar em um evento cultural e muito menos respeitar o próximo. Saí de lá revoltado com algumas coisas, insatisfeito com diversas outras, mas muito feliz por ter conhecido o Harlan, aquela simpatia de pessoa que atendeu todos os fãs com muita alegria e carinho. Parabéns ao editor dele e ao pessoal da Editora Arqueiro por ter nos dado esse presente e pela organização tanto no evento como nas redes sociais, estão de parabéns. Ao pessoal da Bienal, infelizmente não tenho elogios, quem sabe ano que vem.
Gostei muito do seu texto, mesmo contendo apenas coisas negativas, pq vc foi sincero e isso que conta afinal né :) A não ser que na próxima vá o Stephen King eu nem em sonho enfrentaria um dia assim na Bienal .. to fora ... eu ia preferir ir durante a semana, em algum dia "menos agitado" (se é que tem kkk) pra poder andar e andar e andar em tudo kkk !!
ResponderExcluirInfelizmente, também gostaria que fosse mais alegre rsrsrsrs
ResponderExcluirEu pensei em voltar hoje lá para pegar a edição comentada de Alice no país das maravilhas. Texto original do Lewis Carroll, ilustrações originais, e um preço muito bom!